Arquiteturas de referência

Como desenhamos conectividade e continuidade

Oito arquiteturas que usamos como ponto de partida em conversas com gestores de TI: quando cada uma faz sentido, o que entrega e onde estão os limites. O desenho final sempre parte do seu ambiente.

Ilustração de desenhos de arquitetura de rede sobre uma mesa com switch e ponto de acesso
Imagem ilustrativa

Conectividade e BGP

Do link único ao multihoming com ASN próprio: cada degrau resolve um problema e traz limites que você deve conhecer antes de decidir.

Multihoming com ASN e prefixos próprios (BGP)

A empresa tem o próprio número de sistema autônomo (ASN) e os próprios blocos IPv4/IPv6, e os anuncia por BGP a dois provedores de trânsito. Os endereços são seus e continuam os mesmos se um provedor cai ou é trocado.

Multihoming com ASN e prefixos próprios (BGP)Diagrama da esquerda para a direita: sua rede com prefixos próprios, roteador de borda com BGP, dois provedores de trânsito e a internet.Seu AS eprefixosRoteador deborda (BGP)Trânsito A(BGP)Trânsito B(BGP)InternetMultihoming com ASN e prefixos próprios (BGP)Diagrama da esquerda para a direita: sua rede com prefixos próprios, roteador de borda com BGP, dois provedores de trânsito e a internet.Seu AS eprefixosRoteador deborda (BGP)Trânsito A(BGP)Trânsito B(BGP)Internet
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • Serviços publicados que não podem mudar de IP (APIs, e-mail, sistemas acessados por clientes e parceiros).
  • VPNs com clientes que dependem de endereços fixos e estáveis.
  • Necessidade de disponibilidade também para o tráfego que chega à empresa, não só para o que sai.
  • Provedores de internet, hospedagem e datacenters, ou empresas com vários provedores que querem controlar por onde o tráfego entra e sai.

O que entrega

  • Desenho do roteamento: o que anunciar, a quem e com que preferência (engenharia de tráfego de entrada e saída).
  • Configuração do roteador de borda, com sessões BGP nos dois provedores e filtros de prefixo.
  • Apoio ao pedido de ASN e de blocos IPv6 (e IPv4, quando houver) ao Registro.br, com a documentação que o formulário exige.
  • Monitoramento das sessões BGP e testes de queda planejados.

Requisitos e limites

  • O pedido de ASN e de blocos IP é analisado pelo Registro.br: avaliamos o seu caso e orientamos o pedido, sem prometer aprovação.
  • O formulário pede CNPJ, dados de contato, quais são os provedores de trânsito e a justificativa de uso; o ASN só é entregue junto com a aprovação do pedido de bloco IP.
  • IPv4 está esgotado na região desde 2020: novos blocos só saem de endereços devolvidos ou recuperados, por fila de espera sem previsão de prazo. IPv6 é o caminho mais viável hoje.
  • Taxas e prazos são definidos pelo Registro.br e pelo LACNIC; consulte as páginas oficiais antes de decidir.
  • Exige dois provedores que aceitem sessão BGP e equipamento de borda dimensionado para a tabela de rotas contratada.

Quando uma empresa realmente precisa de ASN? Quando não pode perder o endereço IP ao trocar de provedor, quando precisa de redundância também na entrada do tráfego, ou quando opera como provedor, hospedagem ou datacenter. Para só “ter internet de reserva”, o caso anterior costuma bastar.

Peering no IX.br (PTT)

Além do trânsito, a empresa se conecta a um ponto de troca de tráfego do IX.br e troca tráfego diretamente com outras redes presentes nele.

Peering no IX.br (PTT)Diagrama da esquerda para a direita: sua rede, roteador de borda, dois caminhos (provedor de trânsito e IX.br) e, ao final, a internet e as redes presentes no IX.br.Seu AS(ASN próprio)Roteador deborda (BGP)Provedor detrânsitoIX.br(PTT)InternetRedes noIX.brPeering no IX.br (PTT)Diagrama da esquerda para a direita: sua rede, roteador de borda, dois caminhos (provedor de trânsito e IX.br) e, ao final, a internet e as redes presentes no IX.br.Seu AS(ASN próprio)Roteador deborda (BGP)Provedor detrânsitoIX.br(PTT)InternetRedes noIX.br
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • A empresa já tem ASN e boa parte do tráfego vai para (ou vem de) redes que também estão no IX.br.
  • Conteúdo e serviços com muito tráfego para outras redes brasileiras.
  • Objetivo de encurtar o caminho até esses destinos e depender menos do trânsito.

O que entrega

  • Avaliação de quais destinos valem o peering e em qual localidade do IX.br.
  • Configuração das sessões BGP e das políticas de roteamento no roteador de borda.
  • Apoio nas etapas de adesão e nos testes de conectividade.

Requisitos e limites

  • O IX.br é aberto a qualquer sistema autônomo: sem ASN próprio, não há como participar.
  • Os passos: ter ASN, escolher a localidade (PIX), combinar a interligação física com o PIX, solicitar a adesão em meu.ix.br e assinar o contrato, cumprindo os requisitos técnicos.
  • Em algumas localidades (como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza) há custos de participação; cada PIX tem regras próprias. Consulte o IX.br.
  • O ganho (menor latência e menor consumo de trânsito) depende de quem está no mesmo ponto; não é automático.

Segurança na borda: RPKI, filtros e DDoS

Com ASN próprio, a borda precisa de tanto cuidado quanto o firewall: publicar quem pode anunciar seus prefixos, filtrar o que entra e sai e combinar com o provedor o que fazer num ataque.

Segurança na borda: RPKI, filtros e DDoSDiagrama da esquerda para a direita: seu AS, roteador de borda com filtros, dois provedores de trânsito ao lado do registro de ROA e IRR, e a internet.Seu ASprefixosBorda comfiltrosTrânsito AROA e IRRpublicadosTrânsito BInternetSegurança na borda: RPKI, filtros e DDoSDiagrama da esquerda para a direita: seu AS, roteador de borda com filtros, dois provedores de trânsito ao lado do registro de ROA e IRR, e a internet.Seu ASprefixosBorda comfiltrosTrânsito AROA e IRRpublicadosTrânsito BInternet
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • A empresa anuncia prefixos próprios e não quer que outra rede os anuncie por engano ou má-fé.
  • Serviços na internet que já sofreram, ou podem sofrer, ataques de negação de serviço.
  • Requisito de governança ou de clientes sobre a segurança do roteamento.

O que entrega

  • ROA (Route Origin Authorization) para cada prefixo: um registro que informa qual ASN está autorizado a originá-lo.
  • Filtros de prefixo e de caminho de AS nas sessões BGP, e proteção contra endereços de origem falsos.
  • Documentação pública da política de roteamento e dos contatos de operação, conforme as ações do MANRS (filtragem, antispoofing, coordenação e validação global).
  • Plano de resposta a ataques de negação de serviço (DDoS), combinado com o provedor de trânsito, com os procedimentos de acionamento.

Requisitos e limites

  • ROA é um registro de autorização, não um firewall: quem valida rotas é a outra ponta, e nem toda rede valida.
  • A criação de ROA depende do ASN estar registrado em seu nome; ela é configurada no painel de numeração do Registro.br.
  • Usamos as ações do MANRS como referência de boas práticas; isso não significa que somos participantes do programa nem confere certificação.
  • A mitigação de ataques de grande volume é contratada com o provedor de trânsito: depende do fornecedor, do plano e do tamanho do ataque.

Continuidade do negócio (BCP)

Backup, site secundário e nuvem híbrida: o que mantém a operação de pé, ou a traz de volta, quando algo dá errado.

Backup 3-2-1 com cópia externa

Três cópias dos dados, em duas mídias diferentes, uma delas fora do local: se o servidor, o prédio ou a conta de nuvem de produção forem atingidos, ainda há caminho de volta.

Backup 3-2-1 com cópia externaDiagrama da esquerda para a direita: dados de produção, cópia local em outra mídia, cópia externa fora do local e, ao final, o teste periódico de restauração.Dados deproduçãoCópia local(outra mídia)Cópia externa(off-site)Teste derestauraçãoBackup 3-2-1 com cópia externaDiagrama da esquerda para a direita: dados de produção, cópia local em outra mídia, cópia externa fora do local e, ao final, o teste periódico de restauração.Dados deproduçãoCópia local(outra mídia)Cópia externa(off-site)Teste derestauração
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • Servidores, bancos de dados e estações com dados que a empresa não pode perder.
  • Risco de ransomware, falha de hardware, erro humano ou incidente no local.
  • Necessidade de comprovar que o backup restaura, e não só que “roda”.

O que entrega

  • Política 3-2-1 desenhada por criticidade, com retenção e janela de backup definidas.
  • Backup gerenciado dos servidores Windows e Linux com o portfólio Acronis e armazenamento local.
  • Testes de restauração periódicos, com registro do resultado.

Requisitos e limites

  • A cópia externa depende da banda de saída e do volume de dados: o primeiro envio pode levar dias.
  • O custo cresce com a retenção e com o volume protegido.
  • Backup recupera dados; para o serviço voltar em minutos, veja o caso de site secundário.

Site secundário e recuperação de desastres (DR)

Um segundo ambiente (outro site ou nuvem) recebe réplicas dos sistemas críticos. Se o principal parar, os usuários passam a usar o secundário.

Site secundário e recuperação de desastres (DR)Diagrama da esquerda para a direita: os usuários acessam o site principal; o site de DR em espera recebe réplicas do principal e assume em caso de falha.UsuáriosSiteprincipalSite de DR(em espera)Site secundário e recuperação de desastres (DR)Diagrama da esquerda para a direita: os usuários acessam o site principal; o site de DR em espera recebe réplicas do principal e assume em caso de falha.UsuáriosSiteprincipalSite de DR(em espera)
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • Sistemas cuja parada por horas ou dias é inaceitável para o negócio.
  • Necessidade de definir, por serviço, quanto dado se aceita perder e em quanto tempo o serviço precisa voltar.
  • Auditorias ou clientes que exigem plano de continuidade documentado.

O que entrega

  • Levantamento dos serviços por criticidade e definição de RPO e RTO para cada um.
  • Replicação para o site secundário ou para a nuvem e plano de failover e retorno.
  • Plano de continuidade e de desastre documentado (BCP e DRP), com testes programados.

Requisitos e limites

  • RPO é quanto de dado a empresa aceita perder, medido em tempo (por exemplo, “até 15 minutos de trabalho”). RTO é em quanto tempo o serviço volta. Quanto menores, maior o custo.
  • Replicação exige banda estável entre os sites e capacidade reservada no secundário.
  • Sem teste de failover, o plano é uma hipótese: por isso incluímos ensaios no escopo.

Nuvem híbrida e continuidade de filiais

Matriz e filiais ligadas à nuvem por um link principal e outro de reserva (4G/5G), para que cada unidade continue conectada e os sistemas na nuvem continuem acessíveis.

Ilustração de matriz e filiais conectadas a uma nuvem híbrida
Imagem ilustrativa
Nuvem híbrida e continuidade de filiaisDiagrama da esquerda para a direita: matriz e filial, cada uma com link principal e link de reserva 4G ou 5G, ligados à nuvem híbrida.MatrizFilialLinkprincipalReserva4G/5GNuvemhíbridaNuvem híbrida e continuidade de filiaisDiagrama da esquerda para a direita: matriz e filial, cada uma com link principal e link de reserva 4G ou 5G, ligados à nuvem híbrida.MatrizFilialLinkprincipalReserva4G/5GNuvemhíbrida
caminho principal reserva ou replicação Diagrama esquemático, não representa um projeto real.

Quando usar

  • Parte dos sistemas já está na nuvem ou vai migrar, e as unidades dependem desse acesso.
  • Filiais que não podem ficar paradas por falha no link principal.
  • Identidade e acesso unificados entre o ambiente local e a nuvem.

O que entrega

  • Conectividade segura entre unidades e nuvem (VPN, por exemplo WireGuard), com troca automática para o link de reserva.
  • Arquitetura híbrida com migração faseada e plano de retorno.
  • Identidade híbrida com Active Directory e Microsoft Entra ID, quando a empresa já usa AD.

Requisitos e limites

  • O link 4G/5G de reserva tem banda e latência menores e depende da cobertura da operadora no local; serve para manter o essencial funcionando.
  • Ao trocar de link, conexões em andamento podem cair e precisar reconectar.
  • Custos de nuvem variam com o uso: incluímos governança de custos (FinOps) no escopo.

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